PAI


Na verdade nunca vou saber o que este dia significa. 

Gostava de vos dizer que é o melhor dia do mundo, mas deve ser o dia do nascimento, o dia do mais antigo da família que ainda tenho. 


Sem dever, mas às vezes na obrigação de querer ser melhor, e sem saber que em cada palavra já é o melhor.

PORQUE?

Soube os saberes do que sabe como pai e como homem. Apesar de ser o mais antigo, não é na velhice que se ouvem as palavras. Mas ouve-se o silêncio que fala. Ouve-se o falar alto de quem prefere “quase” certa de cantar a leitura dos números que nunca deixaram faltar uma maçã ou umas uvas á mesa concerteza.

Bom apetite!

MULHERES DA MINHA VIDA

Há fotografias que guardam muito mais do que um momento. Guardam o tempo, os gestos e o amor que passa de geração em geração.


Esta fotografia tem doze anos.  

Na cozinha, a minha mãe mexe a massa com a calma de quem já fez esta receita muitas vezes. Ao lado, a minha filha observa, imita e aprende — com uma colher quase tão grande quanto a sua mão.


Entre tigelas, farinha e risos, nascem coisas simples e importantes:  

memórias, tradição e carinho.


Naquele dia não estávamos apenas a fazer um bolo.  

Estávamos a construir uma lembrança.


Hoje olho para esta imagem e percebo que a cozinha é muitas vezes o lugar onde a vida acontece devagar — onde as histórias são contadas, onde as receitas passam de mãos para mãos e onde o amor se mistura como os ingredientes numa tigela.


Talvez seja isso que sempre quis guardar aqui no Maçãs Rosadas:  

os pequenos momentos que sabem a casa.